Doar com dignidade

Doar com dignidade

As tragédias causadas pelas chuvas causaram comoção geral. Isso mobilizou tanto doações de grandes empresas como de pessoas comuns.

Muitos se deslocaram para os locais das tragédias para cavar com as próprias mãos, outros foram para doar um cafezinho, lanchinho ou mesmo refeições inteiras. A TV não nos deixa mentir. Nessas horas que a força da comunidade e das pessoas são capazes de modificar uma realidade.

Doamos, de nossa parte, aquilo que é possível. Mas, na maior parte dos casos, doamos aquilo que nos sobra, não aquilo que nos fará falta, nosso lixo.

Sem pieguices ou menções a religiões, mas isso me fez lembrar o óbolo da viúva.

Fomos pessoalmente à Cruz Vermelha para ajudar a separar as roupas e preparar kits para os desabrigados.

Chegando lá, ficamos chocados com o estado físico dos prédios e casas. Caindo aos pedaços, com entulhos aos montes, sem o mínimo estado de conservação.

Encaminhados para fazer a separação de roupas (homem, mulher e criança), descreveremos, a seguir, o que constatamos com nossos próprios olhos. Mais de 80% das doações que vimos são itens inúteis, como:

cortina velha

capa de sofá

dois pedaços de pernas de calça jeans

chapéu de papai noel

interfone

restos de árvore de natal

fita K7 antiga

roupas rasgadas

retalhos

roupas com amarelo de suor

cuecas e calcinhas usadas

latas de colomba pascal

roupas mofadas

pés de meia sem o par correspondente

sacos com espuma dentro (ditos travesseiros)

guarda-chuva velho

pratos e copos quebrados

cabides velhos

roupas da moda dos anos 70

remédios vencidos

roupas pelo avesso

OVNIs – objetos de voluntários não identificados

Em contrapartida, vimos um pequeno saco com sapatos doados, amarrados, limpos, com a numeração do pé.

Acreditamos que isso não é exclusividade da Cruz Vermelha e certamente muitos outros locais como Defesa Civil, Guarda Municipal e Grupamento de Bombeiros devem receber essas mesmas coisas.

Sentimo-nos envergonhados em formar os kits com tanto lixo.

Os desabrigados realmente não têm nada. Com certeza receberão esses kits com a maior alegria.

Mas é preciso um pouco mais de dignidade. Essas pessoas já perderam tudo o que tinham, sem falar nos familiares.

Vão receber os nossos restos?

Gostaríamos de, com essa carta, ajudar a esclarecer as pessoas sobre as doações que elas fazem.

Se forem doar roupas, façam com cuidado, como se estivessem dando para um irmão ou parente. Que organizem as roupas por tamanho. Caso não saibam o que doar, veja aqui a lista.

Que não estejam destruídas. Que não sejam dos anos 70 (tanto da moda quanto em conservação). Que os pares de meia estejam casados e amarrados. Que as calcinhas e cuecas não sejam usadas. Em qualquer loja ou mesmo em Friburgo encontram-se peças íntimas masculinas e femininas ao custo de fábrica.

As doações de alimentos devem ser em kilos. Não adianta comprar sacos de 5Kg de arroz porque não tem como ser alocado num kit.

Itens muito escassos nos kits:

alimentos: sal, café, feijão

limpeza: absorvente íntimo, sabão em pó, álcool

Vamos, amigos, doar. Mas doar com dignidadade.

Uma resposta

  1. Oi! Marconi eu acho isso muito triste, mas já soube que muitas pessoas que não precisam e não foram vítimas das enchentes foram pegar cobertores e colchonetes porque são novinhos! Isso é falta de caráter! Além disso, estão se cadastrando para ter casas lá em Santa Tereza…a qualidade do ser humano tá muito ruim.

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