
O processo de aprendizagem na atividade mediúnica é dinâmico. Por ter essa característica, o médium muitas vezes não tem parâmetros para decidir qual o procedimento deve ser tomado em determinada circunstância. A inexperiência frente a fatos espirituais e seus mecanismos pode fazer com que o médium erre com maior frequência, pois seus parâmetros são mais baseados na vida material, de sorte que o problema torna-se um pouco mais difícil de ser resolvido.
Porém, é importante perceber que o aprendizado envolve o entendimento de alguns pontos. Qual a finalidade de se efetuar o desenvolvimentos dos dons mediúnicos? Quais as dificuldades e inconvenientes que devem ser evitados? Cada pessoa poderá ter uma resposta para essas perguntas, porém, elas poderão concordar na maior parte das vezes. A finalidade do desenvolvimento dos dons mediúnicos é o exercício da caridade. É fazer com que o dom torne-se fator de multiplicação na contabilidade divina, onde aquele que menos tem seja auxiliado por aquele que mais possui.
Entretanto, o exercício da mediunidade é cercado de inconvenientes e esses se aproveitam dos piores defeitos do ser humano: egoísmo e orgulho.

O Espiritismo é fácil? Para fazer as coisas mais simples, temos de aprender a fazê-las e adquirir treinamento na prática. Mas, quando se trata de Espiritismo, muita gente pensa que basta assistir algumas sessões para poder fazer tudo e dentro de pouco tempo tornar-se mestre no assunto. Para ilustrar esse caso, eu sempre me utilizo da capacidade do esquimó em diferenciar os tons de branco na imensidão do Ártico. Porém, como podem ver, mesmo sabendo distinguir as centenas de tons de branco, mesmo o esquimó pode se tornar presa fácil de um predador.

Portanto, para se evitar determinados inconvenientes da prática espiritual, é necessário ESTUDAR SEMPRE. O Espiritismo não pode se prender à busca incessante de justificativa científica para se estabelecer como doutrina religiosa, e sim, se apoiar nos postulados que fazem parte da base que apóia esses imensos conhecimentos. E esses conhecimentos encontram porto seguro em Allan Kardec e Francisco Cândido Xavier (médium através do qual inúmeras entidades trouxeram páginas de ensino e alívio).
Tomamos isso como base porque os mecanismos de aprendizagem atuais, tanto na vida material quanto espiritual, envolvem a pesquisa em inúmeras fontes. E a televisão é uma fonte enorme de materiais para estudo. É importante estudar sempre para termos alguns parâmetros para decidir aquilo que pode ser usado daquilo que não serve.


O Espiritismo, como ensinava Kardec, é um campo de atividades difíceis, complicadas, melindrosas, exigindo dos seus praticantes conhecimento seguro de sua natureza e finalidade, de suas possibilidades e dificuldades. Por isso muita gente fracassa na prática espírita, caindo em situações confusas, ensinando aos outros uma porção de coisas erradas, trocando as mãos pelos pés e escorregando sem perceber em obsessões e fascinações. Por isso, é importante usar sempre o bom senso e o equilíbrio!

Elementos de equilíbrio:
Força, dedicação, exercício, coragem, discernimento, moderação, prudência, controle, base, igualdade entre forças opostas (dicotomia: dia/noite, masculino/feminino, quente/frio, esquerdo/direito).
Em muitos momentos da nossa vida teremos dúvidas, pois a dualidade impera, faz parte da natureza do nosso planeta. Se virmos essa dualidade como conflitos, estaremos sempre balançando entre o certo e o errado. Para saber utilizar essa dicotomia em nosso favor, é preciso pensar em complementariedade e interdependência, porque uma perna depende da outra. Se não houvesse noite, não existiria o dia; se não houvesse o alto, não existiria o baixo. Se não houvesse a morte, a vida não prosseguiria.

O processo de aprendizagem requer um esforço e equilíbrio constantes. Se afrouxarmos, não dá certo. Se fizermos força demais, também não dá certo.

Na busca incessante por um modelo, devemos pensar, também, na sequência de fatos. Se olharmos para um determinado momento da vida e tirarmos uma foto, talvez o aprendizado não se dê por completo pois é necessário observar a continuidade da experiência. É importante perceber a contextualização para que se entenda a profundidade de um ensinamento. É por isso que Kardec afirma que o exemplo é o mais poderoso agente de propagação:
As brochuras, os jornais, os livros, as publicações de toda a espécie são meios poderosos de introduzir a luz por toda a parte, mas o mais seguro, o mais íntimo e o mais accessível a todos é o exemplo da caridade, a doçura e o amor.
E não tem ninguém melhor nessa materia do que O Amigo aí abaixo. Esse cara tá sempre de braços abertos, sempre nos espera. Por mais burradas que façamos, Ele nos espera. Ele sempre nos ajuda a suportar o fardo que carregamos ao errar, pois ele fala continuamente à nossa consciência. Vamos escutá-lO mais?

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